A viagem que mudou a minha vida e a de muitos

Nova Zelândia – Novembro-Maio de 2003-2004

 

Era Verão e ouvia-se Tribalistas. Havia esse mesmo ano decidido deixar de estudar. Tinha vindo em 1998 da Faculdade dos Açores em Angra do Heroísmo para Almada para a Faculdade de Ciências e Tecnologia, da Universidade Nova de Lisboa.

Nos Açores habituei-me, com sacrifício, por falta de recursos a viver sozinho, e ao me mudar para um lugar onde não podia fazer mergulho/bodyboard/caminhadas e habituado a novos amigos, como o Paulo ou o Ruben, vi-me inadaptado para continuar a estudar numa Universidade tão competitiva, de matemáticas exigentes e com falta de Natureza. Era 2003 e trabalhava na praia ora como nadador salvador, ora aos fins de semana como Barman com o meu amigo Jorge Beirão que também era nadador salvador. Pelo meio ainda organizava eventos, como com os Dance 2 XX, de Hip Hop, onde o Chifrão e outros membros dos D´Zert dançavam break dance (apenas). Algures entre os bodyboarders e surfistas da Costa de Caparica, surgiu a ideia de fazer uma surftrip à Nova Zelândia, a Dreamland como lhe chamámos. Surgiu a ideia de fazer uma festa de despedida e angariação de fundos. Escolhemos fazer jantar mais festa, no espaço: Remédio Santo na Costa de Caparica. Por norma era um espaço onde se ouvia House Music, não Punk ou Ska e  Reggae como nós ouvíamos. Mas tudo correu muito bem, já para não falar, claro da minha troca no Excel de quem pagou entrada e não, a mulher do irmão gêmeo do Jorge, tomou bem conta da situação.

Là angariamos cerca de 1000-1500 euros, com a ajuda de várias surfshops, e surfistas que apareceram depois de jantar e que nos deram aulas de surf e brindes para rifarmos ao microfone. Foi um festival de brindes.

O Jorge poderá dar mais detalhes dos que aderiram a dar brindes , assim como o nome de deois bodyboarders que foram primeiro para a Nova Zelândia.

Lá marcámos a viagem, eu fui, mais tarde que o Jorge. Ficámos eu e a Inês, namorada do Jorge cá, ansiosos de partir. Eu Viajo. Ela fica, mas também compra bilhete para se juntar mais tarde.

Ao embarcar para Londres, a minha primeira escala, cruzo-me com o Xinês, Cifrão e companhia Dance2XX. Uma coincidência. Tinhamos de nos cruzar, depois de um Verão Fantástico. 

Tive um percalço, em Hong Kong. A minha prancha de bodyboard, viajava com uma arma de mergulho sem arpão, e uma cana de pesca.

Estava eu distraído, na net a comunicar com o Jorge, para combinar a minha chegada a Auckland e ser recebido por ele. Quando chego á sala do check in, tinha uma senhora a perguntar por mim. Fiquei preocupado, e dirigi-me a ela. Ela disse-me que havia um problema e pediu-me que a acompanhasse.

Ora lá estou eu rodeado de Chineses, com as suas metralhadoras a peito, e eu sem saber comunicar com eles. Por momentos fiquei muito preocupado, até que aparece um responsável da British Air, da companhia que voava em escala. Disseram me que tinha que ir a tribunal, pois tinha uma arma de mergulho comigo. Eles suspeitaram que fosse uma arma mesmo? Sei que fiquei por momentos muito atrapalhado e nervoso, mas a dar uma de calma para fora, pudera rodeado de metralhadoras.  Até que vão também tirar todas as minhas bagagens de porão para inspecionar, ao telefone um pouco mais tarde, com um superior, refere que apenas tinha uns canivetes suíços e tinha uma carta da Surf Portugal ( a famosa revista por Miguel Pedreira, uma lenda nos media do Surf ) , pois íamos eu e o Jorge, ao mesmo tempo que viajamos íamos cobrir como jornalistas a final do campeonato de Longboard, onde o famoso surfista de Longboard e que faz pranchas, o Lufi, ia competir. A carta dizia para que fosse facilitado o meu trabalho como repórter e assim, tive a autorização para seguir viagem, sem ter de ir a tribunal, com muita ajuda desse representante da British Airways.

Vejo o meu voo a partir no piso zero do aeroporto ainda meio incrédulo do que me tinha acontecido e sigo para o lounge, para contactar o Jorge para me esperar umas horas depois, pois foi me atribuído um novo voo.

Houve um olhar. Quando no avião, após a descida do mesmo, olho para um Maori. Nesse momento senti que a minha vida ia mudar, e que eu ia ter muitas aventuras, não sabia ainda quais, mas sentia.

Desembarco, e o Jorge Beirão recebe-me de gala, ou seja, sem de ter de ficar meio à toa, de o que fazer.Apanhamos um Shutle, uma carrinha, que nos levou directo, ao local onde se ía disputar a prova: Raglan, uma das ondas esquerdas mais longas do mundo. Ficámos no Lidsay Homestay, uma casa com piso térreo onde estavam os hospedes e um segundo andar onde ficavam os donos. Fiquei no quarto com uma japonesa, se não estou em erro, em beliches. Na altura, não haviam em Portugal este tipo de alojamentos, só pousadas da juventude, e hospedagens normais, onde se aluga um quarto.O convívio com uma Inglesa que fazia workaway nesse espaço foi interessante ( ela tratava dos hóspedes, limpava etc ). Na primeira noite fomos jantar ora e lembro-me de olhar para os 500 euros que tinha, e o valor do jantar (bebemos uma garrafa de vinho incrivelmente cara - o preço do vinho na Nova Zelândia era caro), e pensei ups, tenho que poupar. 

Demos início à nossa acção como repórteres, e visitámos a praia. Era uma praia de rochas e pedras, com uma super direita. Rapidamente, começamos a conhecer alguns dos melhores Longboarders do planeta. E claro a turma brasileira, que eram muitos e todos eles com as suas valências no pranchão.  

                    2003 Oxbow World Longboard Champs at Raglan 









                           Raglan -  https://solscape.co.nz





 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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